03/11/2014 às 00:06:15 - Atualizado em 03/11/2014 ás 00:12:44 Imprimir

Variedades especiais de alface estão ganhando a mesa dos brasileiros. E uma das principais vantagens delas é a crocância. Brunela, crocantela, romanela, rubinela. A rima pode até soar forçada e vem dos nomes escolhidos pela Universidade Federal de São Carlos para batizar suas mais recentes quatro variedades de alface. No campus do município paulista de Araras, onde trabalha o professor Fernando Sala em colaboração com o agrônomo Cyro Paulino da Costa. Foram eles que desenvolveram hortaliças que agora despontam como uma promessa para melhorar a salada do brasileiro.

É que a maior parte dos 30 mil hectares de alface do país está focada na produção da variedade crespa. Boa para o agricultor, mas nem tanto para o consumidor.

“A alface crespa domina o mercado por duas características principais. A primeira é porque ela é uma alface com arquitetura aberta, e não há formação de cabeça. Isso é bom porque no período de cultivo, na época de verão, quando chove muito permite que a água escoe com facilidade e não apodreça as folhas”, explica Fernando Sala. “Além disso, é uma alface que tem as folhas flexíveis, não se quebra com facilidade. Mas não tem a textura de crocância, que é valorizada pelo consumidor”, diz o professor.

Crocância é a principal característica da alface americana, por exemplo. Em uma das estufas de alface da universidade, as plantas passaram muito do ponto de colheita e chegaram no período de reprodução. É nessa fase que a pesquisa inicia o trabalho de cruzamento e a busca pelas melhores variedades.

“A gente vai multiplicar ainda por mais algumas gerações até identificar e fixar as características das plantas que a gente deseja, o que deve levar de quatro a cinco anos”, diz Fernando Sala.

A pesquisa na Universidade Federal de São Carlos levou tempo para chegar às suas quatro variedades de alface. Cada uma com suas peculiaridades: brunela, romanela, rubinela e crocantela são todas crocantes. A crocância dessas alfaces está diretamente relacionada às nervuras mais tenras. O caso da Brunela, a espessura chega a ser oito vezes mais grossa do que a folha da alface crespa.

Em Araras, o agricultor Humberto de Souza cultiva hortaliças no sistema hidropônico – aquele onde as plantas recebem os nutrientes através da água. E uma das últimas novidades nas tubulações da sua propriedade é a variedade Romanela. E o motivo é simples: “é a certeza de aceitação, tamanho, sabor”.

No município de Ibiúna, o agricultor Cristiano Psillakis também está gostando do resultado que tem saído dos seus canteiros. “Elas tem características de crocância. A espessura de folha é um pouco maior, o que faz com que o tempo de prateleira dessa verdura seja aumentado porque desidrata menos”, diz o agrônomo e agricultor.

Por semana, Cristiano entrega no comércio da capital, São Paulo, algo em torno de 8 mil pés de alfaces especiais. “Antigamente as pessoas falavam que pouco importava a alface, que o que dava o sabor era o molho. E não é verdade. Se você consegue usar outros sentidos, como o visual de um prato bonito, isso torna o seu ato de comer uma salada algo muito mais prazeroso”, diz Cristiano. 

Para testar a versatilidade das alfaces brasileiras, a equipe do Globo Rural procurou o chef Geovane Carneiro, que trabalha num restaurante de alta gastronomia em São Paulo. Com a Brunela e a Rubinela, ele preparou uma salada fria. Já com a Romanela, ele levou as folhas para a frigideira e as grelhou na manteiga.

“Eu resolvi desafiar essa alface. Vou grelhar alface para ver até onde ele aguenta a temperatura”, diz o chef. “Pela qualidade do produto. você pode fazer um processo mais longo e ele continua crocante e o sabor também”.  Mesmo depois de grelhada, a alface não perdeu a crocância.

Reportagem do Globo Rural | Vista em: http://goo.gl/owj5P0