12/06/2017 às 16:10:00 - Atualizado em 12/06/2017 ás 16:10:00 Imprimir

No bairro Higienópolis, localizado próximo à Cohab, em direção à BR-293, um produtor inovou na maneira de cultivo de produtos de horta. Ele aderiu à hidroponia, que é o cultivo de plantas sem o contato com o solo. O produtor Julierme  Madke, 26 anos, está cultivando, há três anos,  alface, rúcula e espinafre com a técnica de hidroponia. A estrutura permite a produção de 15 mil pés.

Madke veio morar em Bagé há cinco anos. Ele trabalhava com caminhão trazendo alimentos de centrais de abastecimento em Porto Alegre. Filho de pequenos agricultores na região de Ijuí, o empreendedor viu, no setor, um nicho de mercado e resolveu estudar a técnica e investir no cultivo diferenciado.

O horticultor conta que iniciou plantando de forma convencional no fundo da casa em que morava, no bairro Vicente Gallo Sobrinho, mas o solo e o local não eram favoráveis. Com o passar do tempo, arrendou uma propriedade maior, na estrada Higienópolis, e construiu uma estufa básica que produz em torno de 1,5 mil pés.

Madke recorda que o inicio foi difícil porque teve dificuldades de acessar linhas de crédito com juros mais baixos, mesmo assim decidiu investir. Começou vendendo em pequenos mercados e direto aos consumidores. Em seguida, foi se aperfeiçoando por meio  de cursos fora de Bagé e  conseguiu, através da Emater, fazer um projeto maior e um empréstimo com juros mais baixos.

Processo de produção

Segundo o horticultor, para construir a atual estufa, que tem uma tecnologia avançada, gastou em torno de R$ 250 mil. Ele comenta que o cultivo hidropônico proporciona maior produção, em menor espaço e com menos custo de mão de obra. 

As sementes são colocadas em uma espécie de esponja vegetal, passam pela maternidade, onde ficam no escuro até crescer as primeiras folhas (um centímetro), vão para o berçário e, posteriormente, são colocadas nas bancadas de crescimento. Cada bancada tem a capacidade de receber 300 mudas e o custo  para a construção é R$ 1 mil. O sistema também utiliza cerca de três mil litros de água por mês. “Medimos o PH da água e utilizamos sais minerais e nutrientes para a manutenção”, conta.

 

Agregar valor ao produto

Madke é um dos integrantes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Ele diz que está aguardando a liberação do governo municipal para comercializar os produtos na rede de ensino. Atualmente,  vende para duas redes de supermercado .

O produtor também investiu em embalagens que agregam valor ao produto.

O pequeno produtor relata que a embalagem possui código de barra e o consumidor pode identificar marca, cidade da produção, nome do produtor ou responsável técnico e características do produto·

Diversidade de culturas

Além das produção de alfaces crespa, lisa e americana, rúcula e espinafre, o empresário cultiva  rabanete, brócolis, cenoura, morango, couve e tempero verde de forma convencional. Todos os produtos são comercializados. Ele conta que o tempo para o crescimento dos produtos hidropônicos é o mesmo do cultivo em solo. Porém, diminui o custo com o preparo da terra e funcionários. Hoje, ele conta com apenas um ajudante que consegue realizar todas as tarefas. “A vantagem é que as bancadas são altas, não precisa preparar o solo e o tempo de  trabalho é muito menor”, afirma.

 O empresário já está preparando o espaço para implantar mais uma estufa e afirma que os vegetais hidropônicos duram mais na geladeira e fora dela, pois permanecem com a raiz.

Vantagens nutricionais

As professora do curso de Nutrição da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), Mônica Palomino e Gabriela Schirnann, afirmaram que a principal vantagem de quem consome produtos hidropônicos é a nutricional. Mônica explica que as plantas não entram em contato com os contaminantes do solo como bactérias, fungos, lesmas, insetos e vermes e ficam mais saudáveis porque crescem em ambiente controlado com a temperatura ideal.

Gabriela acrescenta que o produto não fica exposto à contaminação do agrotóxico, visto que não sofre ataque de pragas e doenças. Para a nutricionista, o produto final cultivado em hidroponia é de qualidade superior, com aproveitamento total, pois é cultivado em estufa protegida e limpa, livre das variações do clima, dos insetos, animais e outros parasitas que vivem no solo.

Incentivo municipal

O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Bayard Paschoa Pereira, visitou o horticultor com intenção de conhecer a cultura e, posteriormente. A intenção do gestor público é realizar uma feira de produtos naturais envolvendo também outros produtores que cultivam produtos orgânicos.

O secretário argumenta que a iniciativa vem ao encontro do projeto desenvolvido pela pasta “Cidade Sustentável”, que integra Bagé a uma rede de cidades comprometidas com proposição do desenvolvimento sustentável. “Estamos identificando as produções orgânicas e diferenciadas para posteriormente fazermos a feira”, disse.
Bayard informa que cerca de 12 produtores estão buscando a identificação de produção saudável no município.